Mercado & Materiais
O PREÇO DO CARTÃO E O QUE ELE ENSINA
Índice de raridade recua pelo quarto mês; a reimpressão dos protótipos e a queda do filamento explicam o tombo — e recolocam uma questão antiga sobre o valor do componente
Levantamento desta folha sobre o custo dos materiais de bancada, com a tabela de preços praticados e uma advertência ao aprendiz apressado.
Recuou pelo quarto mês seguido o índice de raridade das cartas, arrastado por dois movimentos que pouco têm em comum: de um lado, a reimpressão franca dos protótipos, que jogou na praça exemplares antes tidos por escassos; de outro, a queda do filamento, que barateou o marcador impresso e retirou da carta parte da função que ela acumulava.
O efeito imediato é o alívio de quem prototipa. Um baralho de prova, que há um ano exigia parcimônia, hoje se corta e se recorta sem cerimônia — e a bancada agradece, pois a parcimônia é inimiga declarada da quinta versão.
O efeito mediato é menos simpático e merece registro: barateado o componente, cresce a tentação de resolver por acúmulo o que deveria resolver-se por desenho. Vê-se protótipo com noventa peças onde trinta bastariam, e o excesso não é generosidade — é indecisão materializada em papelão.
O excesso de componentes não é generosidade: é indecisão materializada em papelão.
A tabela e suas armadilhas
Publicamos ao lado os preços correntes, apurados junto às casas da praça. Duas advertências acompanham a tabela.
A primeira: o preço por unidade engana em tiragem curta, onde a preparação pesa mais que o material. Cem cartas custam quase o mesmo que trezentas, e o aprendiz que economiza cortando a tiragem costuma pagar mais caro por carta.
A segunda: o linho custa mais que o liso e vale a diferença apenas quando o baralho é manuseado à exaustão. Em protótipo, o liso basta — e o linho ali é vaidade prematura.
Do que não baixou de preço
Não baixou, nem há de baixar, o custo do tempo de mesa. Continua sendo o insumo mais caro desta oficina e o único que não se compra por metro: exige gente sentada, disposta e paciente, em hora que a todos convenha.
É por isso que esta folha insiste em pagar seus playtesters — em pizza e em crédito na caixa, conforme anúncio publicado à página anterior. Quem trata o tempo alheio como gratuito acaba sem mesa.
— A Redação
